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Quando a Criação Pede Presença no Rio2C

Rio2C 2026 - Foto: Alexandre Magah
Rio2C 2026 - Foto: Alexandre Magah

Fotos: Alexandre Magah

Por Daniela Israel

No último dia do Rio2C 2026, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, um tema se destacou em meio às discussões sobre tecnologia, automação e inteligência artificial: a importância de preservar aquilo que nos torna humanos.

Na palestra "Thinking by Making", o artista e inventor João Wilbert defendeu a experimentação como ferramenta essencial da criatividade. Em vez de buscar soluções perfeitas, propôs reduzir a distância entre ideia e execução, transformando conceitos em protótipos simples e rápidos.

A importância da presença também marcou o painel "Laboratório dos Sentidos: Quando a Escuta Vira Presença". O psicólogo Lucas Veiga falou sobre a escuta como um ato de atenção aos silêncios, gestos e afetos. Já a atriz Denise Fraga destacou o valor dos encontros humanos em um mundo cada vez mais acelerado. "A natureza dos encontros ainda é a maior tecnologia ancestral que existe", afirmou.

A relação entre criatividade e saúde mental foi abordada pela escritora Ryane Leão e pela jornalista Petria Chaves. Em vez da inteligência artificial, Petria propôs o resgate da "inteligência ancestral" — o conhecimento construído por experiências, memórias e vivências. "O que te traz vida?", questionou Ryane, em uma reflexão sobre descanso, autocuidado e criação.

A CEO da RedBandana, Karen Cesar, reforçou que, quanto mais os processos se automatizam, mais valiosas se tornam habilidades como empatia, escuta e construção de confiança. Para ela, ser humano virou um diferencial competitivo na era da IA.

O encerramento do dia trouxe um exemplo concreto dessa conexão entre tecnologia e ancestralidade: um jogo inspirado no universo do Candomblé, desenvolvido por um criador em parceria com seu pai de santo. Na narrativa, o protagonista busca recuperar a memória guiado pelos Orixás, levando saberes ancestrais a novas gerações por meio da linguagem dos games.

Ao final, ficou uma certeza: o grande desafio criativo do nosso tempo não é dominar ferramentas, mas preservar a profundidade, a presença e a humanidade. Em uma era de algoritmos, talvez a inovação mais urgente seja reaprender a escutar, lembrar e criar a partir da experiência humana.

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