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Vigésimo terceiro festival literário da FLIP em Paraty, Brasil

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Vigésimo terceiro festival literário da FLIP em Paraty, Brasil

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A 23ª edição do Festival Internacional de Literatura de Paraty (FLIP), que se encerrou no domingo, 3 de agosto de 2025, apresentou – pelo menos para este veterano de quatro FLIPs – tendências atuais da escrita contemporânea no Brasil e no exterior, com ênfase no feminismo.

Tendo participado da recente Bienal do Livro no Rio de Janeiro, este observador notou pelo menos um paralelo entre os dois eventos literários: sua ênfase em escritoras femininas e as dificuldades na luta contra o chamado machismo.

Este ano, a ausência predominante de escritores proeminentes da língua inglesa foi uma sensação estranha e, reconhecidamente, uma decepção.

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No passado, conheci e entrevistei pessoalmente os proeminentes jornalistas americanos Gay Talese (NYTimes) e, em 2005, Jon Anderson (a guerra do New Yorker-Iraque), e entre aqueles que caminharam pelas ruas de paralelepípedos de Paraty estão nomes como Eric Hobsbawm (2003), Julian Barnes (2003), Ian McEwan (2004), Salmon Rushdie (2005) e Christopher Hitchens (2006), para citar apenas alguns.

No grande e principal auditório da Matriz (construído temporariamente para o evento), quatro importantes eventos da Flip apresentaram escritoras, incluindo as brasileiras (quinta-feira) Mar Becker (Porto Alegre) e Monique Malcher (Santarém, Pará – `DeGola` ou `Sticking`); na sexta-feira, a cartunista sueca Liv Stromquist e as curitibanas (sul do Brasil) Giovana Madalosso (Batida, uma discussão sobre emoções, relações e fé) e Astrid Roemer (Amazonas, `A Loucura de uma Mulher`).

Do lado masculino, a Flip 23 anos foi dedicada ao falecido poeta curitibano Paulo Leminski (Curitiba, sul do Brasil – 1944- Curitiba, 1989).

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Entre os maiores `sucessos` da FLIP estava o polêmico autor israelense, agora professor universitário britânico, Ilan Pappe, falando eloquentemente sobre seus livros e pesquisas sobre o que ele acredita ser uma tentativa de expulsar os palestinos de sua terra natal.

As outras estrelas da FLIP incluíam a autora espanhola Rosa Montero (`A Ideia Ridícula de que Nunca Mais Te Verei`) e o italiano Sandro Veronesi, considerado um dos romancistas mais importantes da Itália nas últimas décadas.

O italiano, que se submeteu a psicanálise nos últimos 30 anos, disse à plateia que `a psicanálise tomou o lugar da filosofia`.

Na coletiva de imprensa de encerramento, no domingo, 3 de agosto, na encantadora Pousada do Ouro, perguntei à curadora Ana Lima Célio se essa ênfase em mulheres falando sobre feminicídio era intencional e recebi a resposta de que não foi planejada, mas baseada nos escritores convidados este ano, com o orçamento reduzido em 30% em relação aos anos anteriores.

Só podemos esperar e rezar para que, à luz do imposto de importação de 50% do presidente Trump sobre as exportações brasileiras para os EUA, esta intacta cidade colonial do Rio de Janeiro e a 269 quilômetros de São Paulo, que lembra Veneza e Tailândia, continue a prosperar e crescer como um centro cultural e não seja infestada por restaurantes de fast food, condomínios altos e outras manchas em seu encantador mar, montanhas e áreas coloniais. Pousadas.

E nesta era em que a leitura online e o Facebook parecem mais populares e lidos do que a literatura tradicional, discussões sobre livros e o tratamento de autores dedicados como estrelas pop são de fato mais do que bem-vindos.

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