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Visiting Mr. Green: a Broadway e a Off-Broadway chegam ao Rio de Janeiro

ENRead this article in EnglishVisiting Mr. Green: Broadway and Off-Broadway Come to Rio de Janeiro
Harold Emert ao lado do painel de Visitando o Sr. Green no Teatro Vannucci

Por Harold Emert

Queridos Elias Andreato, Caio Manhente, diretor Guilherme Piva e tradutor Gustavo Pinheiro:

Obrigado por salvarem um domingo que estava se tornando nostalgicamente melancólico para este ex-nova-iorquino.

Embora esteja longe da minha cidade natal há mais de meio século, ainda há momentos em que sinto uma enorme vontade de sair e assistir a uma grande peça da Broadway — ou da Off-Broadway. Graças à maravilhosa montagem de vocês de Visiting Mr. Green, de Jeff Baron, vocês me pouparam o custo de uma passagem de avião, um apertado assento na classe econômica, os indiferentes comissários de bordo das companhias aéreas americanas, que às vezes se comportam como se estivessem fazendo um favor aos passageiros, e um quarto de hotel ridiculamente caro em Nova York — provavelmente não muito maior do que o meu banheiro aqui em Copacabana.

Não me entendam mal. Ainda amo a cidade onde cresci, estudei e passei os anos decisivos da minha vida. Mas Nova York se tornou extraordinariamente cara. E os ingressos da Broadway — e até mesmo da Off-Broadway — podem hoje chegar a centenas de dólares, fazendo com que uma ida ao teatro seja uma experiência muito diferente para alguém que já não é um nova-iorquino experiente, mas um verdadeiro “forasteiro”.

Por isso, fiquei encantado ao descobrir que, de certa maneira, a Broadway tinha vindo até mim.

Harold Emert diante de um cartaz de Visitando o Sr. Green no Teatro Vannucci

Uma peça que percorreu o mundo

Visiting Mr. Green, escrita pelo dramaturgo americano Jeff Baron, estreou em 1996 em Stockbridge, Massachusetts, e chegou à Off-Broadway em 1997, tornando-se um sucesso teatral internacional.

Nunca tive a oportunidade de ver Eli Wallach no papel do irascível viúvo judeu ortodoxo Mr. Green, nem David Dukes como Ross Gardiner, o jovem executivo gay, durante a bem-sucedida temporada da peça em Nova York, no Union Square Theatre.

Também não assisti à montagem de 2008 no West End de Londres, nem à produção brasileira que estreou em São Paulo em 2000, com os extraordinários atores Paulo Autran e Cássio Scapin.

Mas agora, mais de um quarto de século depois que a peça surgiu, finalmente tive minha experiência com Visiting Mr. Green — no Rio de Janeiro.

E que experiência foi essa!

Dois outsiders, dois mundos

Em nossa época atual, em que pessoas são simplesmente “canceladas” por terem opiniões diferentes das nossas, a peça de Baron parece ter adquirido uma relevância ainda maior.

No centro da história estão dois seres humanos aparentemente incompatíveis: Mr. Green, de 86 anos, um idoso viúvo judeu ortodoxo, e Ross Gardiner, um jovem gay cuja própria família o rejeitou.

Inicialmente, eles parecem habitar mundos completamente diferentes. Mas, à medida que sua improvável relação se desenvolve, descobrem gradualmente que têm muito mais em comum do que qualquer um dos dois poderia imaginar.

Seu denominador comum é, ironicamente, a inflexibilidade.

Mr. Green, em seu apartamento decadente — que lembra alguns dos apartamentos de aluguel controlado e em péssimo estado que conheço tão bem — vive mergulhado no luto e sozinho desde a morte da esposa, com quem foi casado durante 49 anos. Ele rompeu relações com sua filha adorada porque ela se casou fora da fé judaica.

Ross, por sua vez, inicialmente parece duro como uma rocha. Mas, por trás dessa fachada, existe um jovem revoltado, profundamente ferido pela rejeição da própria família por ser gay.

O que começa como um encontro desconfortável entre dois desconhecidos — Ross foi obrigado pela Justiça a visitar Mr. Green todas as semanas depois de quase atropelá-lo — gradualmente se transforma em algo muito mais profundo: uma história sobre solidão, família, preconceito, perdão e a possibilidade de conexão humana.

Broadway e Off-Broadway chegam à Gávea

Eu, juntamente com um público entusiasmado no tradicional Teatro Vannucci, no Rio, tive o privilégio de testemunhar uma apresentação carregada de emoção — daquelas experiências que espectadores de teatro, em qualquer lugar e em qualquer idioma, têm a sorte de vivenciar.

Elias Andreato e o jovem Caio Manhente levam uma energia e uma humanidade extraordinárias aos seus respectivos papéis. Sob a direção de Guilherme Piva, e com a tradução de Gustavo Pinheiro trazendo naturalmente para o português os diálogos de Baron, a peça ganha uma impressionante sensação de imediatismo.

O resultado não é simplesmente uma produção brasileira de uma peça americana. É um lembrete de que o bom teatro pode atravessar fronteiras, idiomas, religiões, gerações e culturas — e ainda assim falar diretamente conosco.

Segundo informações divulgadas, a peça de Baron já foi encenada em mais de 50 países e traduzida para dezenas de idiomas, demonstrando o quanto seus temas se tornaram universais.

Da Índia e do Japão à África do Sul, ao México e agora ao Rio de Janeiro, Mr. Green e Ross Gardiner continuam se encontrando — e continuam descobrindo um ao outro.

E agora, a dupla espera por aqueles que amam o teatro.

Esqueça a passagem aérea: você não precisa voar até a Broadway ou a Off-Broadway.

Basta ir ao Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea, Rua Marquês de São Vicente, 52, 3º andar, onde Visiting Mr. Green está programado para ficar em cartaz de 15 a 30 de agosto, com apresentações aos sábados, às 18h, e aos domingos, às 17h.

Para este nova-iorquino deslocado, a Broadway — e a Off-Broadway — vieram ao Rio.

E sou muito grato por isso.

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