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Noruega e eu... ou será que fui norueguês em outra vida?

ENRead this article in EnglishNorway and Me... or Was I a Norwegian in a Past Life?
Membros do clube de imprensa estrangeira reunidos com o cônsul da Noruega, Trond Gabrielsen, no Rio de Janeiro, com o Pão de Açúcar ao fundo

Por Harold Emert

Abaixo, fotos do novo cônsul da Noruega no Rio de Janeiro, Trond Gabrielsen, ex-jornalista norueguês que recebeu ontem, com grande gentileza, nosso clube de imprensa estrangeira para um café da manhã e briefing sobre a contribuição da Noruega para o desenvolvimento ecológico do Brasil, a redução das emissões de CO₂ nesta parte do planeta e as novas fontes de energia e combustíveis.

Membros do clube de imprensa estrangeira reunidos com o cônsul da Noruega, Trond Gabrielsen, no Rio de Janeiro, com o Pão de Açúcar ao fundo

Trond Gabrielsen, novo cônsul da Noruega no Rio de Janeiro, durante o café da manhã com o clube de imprensa estrangeira

A aposta norueguesa está muito mais voltada para a energia eólica e outras alternativas do que para o tradicional petróleo — enfim, energia limpa em vez do "drill, drill, drill" defendido por Trump e, infelizmente, por seus seguidores no Brasil.

A contribuição e os investimentos noruegueses no futuro ambiental do Brasil serão apresentados com mais detalhes entre 21 e 24 de setembro, no Riocentro, onde ocorreram eventos dos Jogos Olímpicos de 2016. O local será o Pavilhão 4, estandes X52 e Y52, durante a conferência internacional ROG.e 2026.

O Brasil só pode agradecer à Noruega por suas generosas contribuições anuais para a preservação do meio ambiente e da sempre ameaçada "floresta pulmão do planeta", a Amazônia.

Digo "anuais" porque houve uma exceção: o então presidente brasileiro, hoje preso, e pai do atual candidato que lidera as pesquisas para a Presidência, rejeitou de maneira bastante grosseira — como era seu estilo — as generosas contribuições anuais da Noruega.

Uma ligação com a Noruega que começou em Nova York

Embora eu nunca tenha estado na Noruega, uma parte de mim parece estar ligada espiritualmente ao país desde os tempos em que eu trabalhava como copy boy no turno da noite do extinto New York Herald Tribune, em Nova York.

Uma colega de ascendência norueguesa, recém-chegada àquela grande e assustadora cidade chamada Nova York, também estudava para fazer um mestrado em oboé (!) — vou chamá-la de "IP".

Ela gentilmente ofereceu o sofá de seu apartamento em Manhattan para que eu pudesse dormir lá, em vez de voltar tarde da noite para a casa de meus pais, no distante Queens, e retornar a Manhattan na manhã seguinte para seguir viagem até New Haven, Connecticut, onde eu tinha aulas com o ilustre oboísta Robert Bloom.

Desde então, minha ligação com a Noruega inclui até mesmo receber quase diariamente fotografias de Fargo, Dakota do Norte, nos Estados Unidos — uma região colonizada por noruegueses.

É nessa parte distante das grandes cidades que acontece todos os anos um festival de verão dedicado aos instrumentos de palheta dupla, especialmente oboé e fagote.

Os habitantes da Dakota do Norte, antigo Estado agrícola que já foi bastante próspero, parecem ser pessoas fortes e altamente individualistas, acostumadas aos invernos congelantes e ao isolamento rural — condições que, paradoxalmente, aproximam as pessoas e criam amizades calorosas, além de encontros sociais e culturais que parecem pertencer a outra época.

Recentemente, compus um poema para narrador e oboé chamado "Dakota Strong", uma homenagem ao Estado que tanto encantava um grande presidente americano, Theodore "Rough Rider" Roosevelt.

Mas esses noruegueses são pessoas complexas!

Ou, pelo menos, parecem ser.

Basta assistir ao filme Valor Sentimental, de Joachim Trier, sobre um diretor de cinema norueguês divorciado e mulherengo e suas duas belas filhas, uma delas uma talentosa atriz que interpreta uma tragédia de Ibsen.

A mãe das meninas, ex-mulher do diretor, foi perseguida pelos nazistas por causa de suas atividades contra Hitler. Ela acabou tirando a própria vida, enforcando-se — uma sombra que permanece para sempre sobre a família que deixou para trás.

O filme acompanha justamente a tentativa do diretor de recriar, em uma produção cinematográfica, os acontecimentos que levaram ao suicídio dela.

Por que esse filme tão sensível e comovente não ganhou mais Oscars, além do prêmio de melhor filme internacional, é uma pergunta que Hollywood terá de responder.

De volta à Noruega — e ao futebol

E como esquecer a Copa do Mundo?

Uma das coisas que mais me impressionaram foi ver a seleção norueguesa, liderada por um atacante extraordinário, superar o Brasil. E, depois da vitória, os jogadores noruegueses abraçaram gentilmente os brasileiros derrotados.

O próprio Erling Haaland chegou a pedir desculpas ao Brasil por ter vencido!

E, há apenas cerca de um mês, recebi uma ligação telefônica de longa distância de... um oboísta norueguês, que sonha em visitar o Brasil e tocar por aqui.

Qual será o próximo capítulo?

Todos os anos sou convidado a participar e a ter minhas composições executadas no festival de palhetas duplas naquela pequena "Noruega" chamada Fargo, Dakota do Norte.

De alguma maneira, porém, nunca consigo chegar lá.

Theodore Roosevelt — que certa vez disse: "Eu nunca teria me tornado presidente se não fosse pela Dakota do Norte" — é o personagem principal de outra obra que compus, baseada em sua quase fatal expedição à Amazônia.

E tenho certeza de que o oboísta norueguês voltará a me telefonar no próximo ano, ainda sonhando em visitar o Rio de Janeiro.

E há ainda a música

Musicalmente, existe sempre a companhia maravilhosa de alguns de meus compositores favoritos: Grieg, Nielsen e o brasileiro Alberto Nepomuceno, que estudou com o grande Grieg.

O neto de Nepomuceno, Sérgio Nepomuceno, foi um dos diretores da Orquestra Sinfônica Brasileira, a orquestra que acabou me trazendo ao Brasil.

E, falando em Grieg, nossa orquestra apresentou em Londres, em 1974, o Concerto para Piano de Grieg.

Então, Noruega e eu?

Talvez eu realmente tenha sido norueguês em uma vida passada.

Viva a Noruega!

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