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Sons Antigos, Emoções Atemporais: A Orquestra Chinesa de Xangai Encanta o Rio

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Orquestra Chinesa de Xangai na Sala Cecília Meireles

Por Harold Emert

Saí da Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, após uma noite inesquecível com a Orquestra Chinesa de Xangai convencido de que realmente não há nada de novo sob o sol.

O concerto conduziu o público por milhares de anos de história musical através de instrumentos que antecedem em séculos — e até milênios — os grandes mestres da música clássica ocidental. Entre eles estavam o sheng, um órgão de boca com cerca de 3.000 anos de história; o dizi, uma flauta de bambu com mais de 2.000 anos; o elegante guzheng, uma cítara dedilhada de aproximadamente 2.500 anos; o erhu, o expressivo instrumento de duas cordas frequentemente chamado de “violino chinês”; e a pipa, um alaúde de quatro cordas cuja origem também remonta a cerca de dois milênios.

Esses extraordinários instrumentos existiam muito antes de Bach, Telemann, Mozart, Beethoven, Brahms — ou mesmo dos Beatles. Ainda assim, comunicam as mesmas emoções universais que a música sempre despertou.

Como oboísta profissional, estou constantemente em busca de sonoridades desconhecidas, e nenhum instrumento me fascinou mais do que a suona, um instrumento de palheta dupla de som penetrante que se acredita ter chegado à China vindo da Ásia Central ou da Pérsia pela Rota da Seda durante a Dinastia Yuan (1271–1368).

O brilhante solista da suona, Hu Chenyou — infelizmente, assim como os demais músicos extraordinários, não identificado no programa do concerto — foi, para mim, a grande estrela da noite. Seu virtuosismo deslumbrante e sua presença de palco transformaram o instrumento em uma voz de impressionante poder expressivo. Seu timbre brilhante e penetrante imediatamente me fez lembrar da Sequenza VII (1969), de Luciano Berio, a revolucionária obra para oboé solo escrita para o lendário oboísta suíço Heinz Holliger. Ouvir sonoridades tão marcantes produzidas por um instrumento cujas origens remontam a tantos séculos foi uma lembrança vívida de que muitos sons que hoje consideramos “modernos” possuem raízes antiquíssimas.

Além da música em si, a produção também impressionou. A iluminação sutil, os elegantes figurinos e as entradas e saídas perfeitamente coreografadas dos músicos criaram uma atmosfera de refinamento que complementou de forma exemplar a excelência artística apresentada no palco.

O programa trouxe uma série de obras evocativas, entre elas Primeira Aurora, destacando as sonoridades cintilantes do sheng, e Amarelo Brilhante, que evidenciou as ricas cores sonoras do xiao e do guzheng. Particularmente memorável foi Flores de Lótus, cujas delicadas texturas e harmonias luminosas pareciam antecipar em séculos o impressionismo musical de Debussy e Ravel.

A noite atingiu seu clímax dramático com Crepúsculo Misterioso, uma obra eletrizante para tambores chineses. Seus ritmos estrondosos e sua energia explosiva foram tão impactantes quanto a violenta tempestade que varreu o Brasil no início desta semana. Musicalmente, sua força dramática evocou as aterrorizantes cenas finais da Symphonie fantastique, de Hector Berlioz, comprovando mais uma vez que a intensidade da emoção não conhece fronteiras culturais.

A turnê brasileira da orquestra faz parte das celebrações oficiais do Ano de Intercâmbio Cultural China–Brasil. Embora a Orquestra Chinesa de Xangai tenha sido fundada em 1952, ela preserva e renova continuamente uma tradição musical que atravessa milhares de anos — uma tradição cuja sofisticação desafia a antiga ideia de que apenas a música ocidental representa o auge da realização artística.

Após sua apresentação no Rio de Janeiro, a orquestra prossegue sua turnê pelo Brasil com concertos em São Paulo (1º de agosto), Brasília (4 de agosto), Belo Horizonte (6 de agosto), Curitiba (9 de agosto) e Porto Alegre (11 de agosto).

Meus agradecimentos a Miriam Dauelsberg e à Dell'Arte por trazerem esse extraordinário conjunto ao Brasil. Espero sinceramente que esta não tenha sido uma despedida, mas o início de muitas outras oportunidades para que o público brasileiro possa conhecer uma das mais antigas — e ao mesmo tempo mais vibrantes — tradições musicais do mundo.

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